fotografia tirada do site da National Geographic
Comecemos por perceber a quem se refere o senhor administrador, quando insiste subliminarmente, através do uso de imagens da sua banda desenhada preferida, na questão ancestral (caducada, quanto a mim): Porque vivemos? Porque vivemos nós?
"Nós" quem? "Nós", os Europeus? "Nós", os homens com "H"? Ou, aceitando que ainda existem hierarquias sociais e/ou culturais, o "nós" que habita nas "subculturas"? Uma só pergunta, ou melhor, qualquer possível resposta, não servirá nunca todos os exemplos referidos. Temos portanto e desde já várias hipóteses para pensar. O "viver europeu" não é o "viver africano", tal como o "viver americano" não é o " viver asiático" (começa também a ser habitual tecermos comentários como se nos preocupássemos verdadeiramente com o(s) outro(s), esta opção serve apenas para enriquecer a persona que escreve). Todos estes "viveres" não podem nunca reduzir-se a um único "programa" de vida (se é que é isso que se procura aqui) que se possa "instalar" no tal homem com "H" grande. Sabemos que "isso" das culturas unidas por um denominador comum não é mais do que uma fábula. A tal globalização é uma história infantil narrada por quem anseia que o poder social se dilua, para assim melhor instalar
o ditado das economias parasitárias. (Constantes quebras. Fendas. Défices. Expressões carnívoras. Erros que se propaga sem padrão. A razão às avessas).
E por aí fora! Mas não nos demoremos nestes assuntos das economias, com medo de não sairmos de lá "vivos". Se é de vida que nos queremos banhar, fujamos deles (dos "econocarniceiros")...
Bom, parece que o administrador padece do que comummente se cognomina de existencialismo, ou, recorrendo antes a um comentário mais populista: sofre "de fartura", ou, sofre "do rei na barriga" e (uma vez mais) por aí fora! Ou disso, ou de uma crença desviada para as filosofias. (Essas perigosas leituras de onde nunca saímos senão a rastejar. Senão a sofrer. Senão violentados. Cortes no estômago que nos afectam o equilíbrio. A boca que sangra. O andar a cambalear). Prefigura-se aqui uma questão que não foge às possíveis respostas: Para que servem estas leituras? De que forma é alimentada a nossa fidelidade às mesmas? E, por fim, como se relacionam com o tal "viver"? Andamos aos círculos se nos deixarmos conduzir pela filosofia na tentativa de conseguir uma resposta objectiva. Atentemos, em vista disso, a outras disciplinas, como a Antropologia Moderna. Disciplina que se interessa pela mesma questão mas, quanto a mim, de uma forma mais aberta. Considera, não o indivíduo (alienado ou não), mas antes e sobretudo, uma rede de indivíduos. É caro para a Antropologia Moderna a característica polissémica do homem e nunca a sua unidade. Os homens unos, esses, são homens do passado. Filhos de um erro que originou esta normalização em que vivemos. É por isso importante perceber qual o sujeito da nossa pergunta. Se for um "eu", precipitado, sibilo: "não interessa"; se for um "nós", nós "só estamos de ouvidos" (Mais uma visão utopista. A que mais fere o corpo. A de acreditar num Homem que se interessa por outro Homem. Interessamo-nos pelo Homem na medida em que isso seja benéfico para nós. Seja o nosso caso ligeiramente diferente e estamos longe de tais interesses). Se aceitarmos que a nossa praxis social é estruturante para produzirmos conhecimento, enriquecendo com isso o lugar onde vivemos, como é possível isso ainda acontecer neste território desertificado que é a nossa civilização?
Não alimento mais este devaneio com a esperança de que alguém venha a contribuir, venha mesmo a iluminar as zonas mais enegrecidas deste exercício (meramente onanista). Quanto ao administrador... Bom! Esperemos para ver!
Nota: Este texto ilustrou, mais do que uma pretensão antropológica, um exercício metafísico. E porque? Porque objectivamente não serve para mais nada senão para ampliar o entulho virtual. É pesado de sentidos, mas sem orientação alguma. É estruturado sobre uma ideia difusa e nunca sobre uma acção apolínea. É filho bastardo. É lamacento. É hipócrita porque é racional (Nada do que escrevemos é verdade. Nada escrevemos. Nada.)
abc.hc.saudações.