Descubram-se as diferenças e/ou as semelhanças...

tertúlia
nome: feminino
1. reunião familiar
2. reunião de pessoas com interesses comuns
3. reunião habitual de intelectuais para troca de ideias sobre diversos temas
4. popular embriaguez
(Do cast. tertulia, «id.»)

tertudália
nome:...vá...misto

1. reunião familiar com base em amizades feitas na Quinta das Dálias
2. reunião de pessoas com interesses comuns ou não...

3. reunião habitual de "intelectuais" para troca de ideias sobre diversos temas ao som de...coisas benditas
4. embriaguez quase obrigatória
(Do calão das Dálias. tertudália, «id.»)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Resposta (atrasada) ao Senhor Administrador.


  fotografia tirada do site da National Geographic
Comecemos por perceber a quem se refere o senhor administrador, quando insiste subliminarmente, através do uso de imagens da sua banda desenhada preferida, na questão ancestral (caducada, quanto a mim): Porque vivemos? Porque vivemos nós?
"Nós" quem? "Nós", os Europeus? "Nós", os homens com "H"? Ou, aceitando que ainda existem hierarquias sociais e/ou culturais, o "nós" que habita nas "subculturas"? Uma só pergunta, ou melhor, qualquer possível resposta, não servirá nunca todos os exemplos referidos. Temos portanto e desde já várias hipóteses para pensar. O "viver europeu" não é o "viver africano", tal como o "viver americano" não é o " viver asiático" (começa também a ser habitual tecermos comentários como se nos preocupássemos verdadeiramente com o(s) outro(s), esta opção serve apenas para enriquecer a persona que escreve). Todos estes "viveres" não podem nunca reduzir-se a um único "programa" de vida (se é que é isso que se procura aqui) que se possa "instalar" no tal homem com "H" grande. Sabemos que "isso" das culturas unidas por um denominador comum não é mais do que uma fábula. A tal globalização é uma história infantil narrada por quem anseia que o poder social se dilua, para assim melhor instalar
o ditado das economias parasitárias. (Constantes quebras. Fendas. Défices. Expressões carnívoras. Erros que se propaga sem padrão. A razão às avessas).
E por aí fora! Mas não nos demoremos nestes assuntos das economias, com medo de não sairmos de lá "vivos". Se é de vida que nos queremos banhar, fujamos deles (dos "econocarniceiros")...
Bom, parece que o administrador padece do que comummente se cognomina de existencialismo, ou, recorrendo antes a um comentário mais populista: sofre "de fartura", ou, sofre "do rei na barriga" e (uma vez mais) por aí fora! Ou disso, ou de uma crença desviada para as filosofias. (Essas perigosas leituras de onde nunca saímos senão a rastejar. Senão a sofrer. Senão violentados. Cortes no estômago que nos afectam o equilíbrio. A boca que sangra. O andar a cambalear). Prefigura-se aqui uma questão que não foge às possíveis respostas: Para que servem estas leituras? De que forma é alimentada a nossa fidelidade às mesmas? E, por fim, como se relacionam com o tal "viver"? Andamos aos círculos se nos deixarmos conduzir pela filosofia na tentativa de conseguir uma resposta objectiva. Atentemos, em vista disso, a outras disciplinas, como a Antropologia Moderna. Disciplina que se interessa pela mesma questão mas, quanto a mim, de uma forma mais aberta. Considera, não o indivíduo (alienado ou não), mas antes e sobretudo, uma rede de indivíduos. É caro para a Antropologia Moderna a característica polissémica do homem e nunca a sua unidade. Os homens unos, esses, são homens do passado. Filhos de um erro que originou esta normalização em que vivemos. É por isso importante perceber qual o sujeito da nossa pergunta. Se for um "eu", precipitado, sibilo: "não interessa"; se for um "nós", nós "só estamos de ouvidos" (Mais uma visão utopista. A que mais fere o corpo. A de acreditar num Homem que se interessa por outro Homem. Interessamo-nos pelo Homem na medida em que isso seja benéfico para nós. Seja o nosso caso ligeiramente diferente e estamos longe de tais interesses). Se aceitarmos que a nossa praxis social é estruturante para produzirmos conhecimento, enriquecendo com isso o lugar onde vivemos, como é possível isso ainda acontecer neste território desertificado que é a nossa civilização?
Não alimento mais este devaneio com a esperança de que alguém venha a contribuir, venha mesmo a iluminar as zonas mais enegrecidas deste exercício (meramente onanista). Quanto ao administrador... Bom! Esperemos para ver!
Nota: Este texto ilustrou, mais do que uma pretensão antropológica, um exercício metafísico. E porque? Porque objectivamente não serve para mais nada senão para ampliar o entulho virtual. É pesado de sentidos, mas sem orientação alguma. É estruturado sobre uma ideia difusa e nunca sobre uma acção apolínea. É filho bastardo. É lamacento. É hipócrita porque é racional (Nada do que escrevemos é verdade. Nada escrevemos. Nada.) 

abc.hc.saudações.

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